Na carta d’O Julgamento vemos uma amplidão de pessoas unidas em seus propósitos, compreendendo que as lutas não se separam e que atuam em frentes contra o mesmo sistema de opressões. O que está representado simbolicamente na carta é a compreensão de que não há a emancipação de um grupo sem a emancipação dos outros.
O Julgamento é uma carta que fala do início que emerge do passado. Ela prevê um período de colheita dos esforços que foram investidos em direção a algo.
Trata-se de um momento de síntese, da realização do que fizemos e do futuro que escolhemos cultivar. Se no passado e no presente investimos em omissão, cumplicidade com forças exploratórias e injustiças, diante d’O Julgamento o retorno disso chegará.
Não se trata sempre de uma recompensa agradável, mas de um desdobramento orgânico das consequências do que escolhemos. O juizo de valor sobre esses efeitos, ou seja, dizer se são bons ou ruins, depende diretamente do que tem sido feito.
O presente pode trazer um desdobramento do passado mas é também o momento do plantio de um outro futuro, cujos resultados ainda estão em vias de serem criados. Essa carta anuncia sempre o fim de um capítulo da vida – mas sem o luto que a carta d’A Morte traz.
É, na verdade, o entendimento ampliado de que temos parte na desordem de que nos queixamos.
