Profundezas. Mistérios.
Memória. Mundo onírico.
Com a Sacerdotisa e a Roda da Fortuna, a Lua representa mais um momento de contato com o inconsciente, agora mais aprofundado e menos individual. Dessa vez, o encontro é com a dimensão inconsciente da qual não só o indivíduo, mas a própria vida emerge.
Aqui, como em tantas cosmogonias ao redor do mundo, a Lua também faz referência à vida uterina. Ela vai além das profundezas pessoais e individuais, retratando o princípio feminino da geração da vida* em sua amplidão.
Essa carta traz um confronto com o mundo transpessoal, convoca a um deslocamento, a um certo sair de dentro de si mesma/o e à abertura da percepção para o todo, para o que é coletivo e humano. É a perda do sentido fechado e terminado de ego.
Essa percepção da “psicologia coletiva”, ou do inconsciente coletivo, não é racional ou sistemática, mas intuitiva, como uma antena que se aciona e vibra intensamente captando os movimentos coletivos. Simbolicamente é o reino da imaginação humana.
Fala de um mundo caótico, ilimitado, um tanto confuso. Ela se manifesta, por exemplo, como o burburinho da mente coletiva que, quando percebido em situações-chave, em geral emblemáticas, pode ser elaborado e retratar o pensamento de uma época através de criações artísticas, sonhos, eventos históricos etc.
A carta d’A Lua indica um momento de espera, onde o que se vislumbra ainda é confuso e de delimitações borradas. Traz contato com o mistério de tudo, com o que corre pelo subterrâneo coletivo e que, num momento de Lua, podemos captar, ou pelo menos chegar mais perto.
Prevê um período de flutuação, incerteza, confusão. É um momento que vem com uma sensação de sonho, uma criatividade ainda sem forma, trazendo a compreensão de que a jornada pessoal é apenas parte de uma jornada muito mais ampla e desconhecida, que se estende no Tempo, sempre fértil e em construção – nunca finalizada.
Representação: Tlazoltéotl (deusa asteca)
