
A Sacerdotisa
- Tarô de Yala
- amplidão
- conexão
- destino
- inconsciente
- mistério
- origem
- sagrado
- vislumbre
A Sacerdotisa é a imagem abuela de Maria Sabina. O caminho de terra levanta pó ao ser pisado, como o caminho da consciência pelo qual se passa remexendo o que antes estava assentado.
Se olha para baixo, só se vê a terra seca de onde não brota vida. Mas se olha para os lados, levanta a cabeça e expande a visão, pode-se perceber a riqueza que ladeia a caminhada.
O céu noturno e estrelado é o aspecto da Sacerdotisa que nos põe em contato com o sombrio, necessário para iluminar: a visão leva tempo para atravessar o breu e perceber a luz. Olhar para dentro permite reconhecer o que é externo.
O encontro com a Sacerdotisa é o contato com a intuição, com a conexão com o imenso, integrando a consciência. A passagem pelo profundo encantamento ancestral é um pomo intuitivo a ser cultivado para compreender o que é assustador como sendo também legado de aprendizado, necessário para nutrir a inteireza em si e no todo.
É uma carta que traz o contato com o mundo interior rico e potente, que contém nossos potenciais e aspectos mais sombrios, e que não pode ser acessado sem o consentimento de seus guardiões. Contém o segredo do destino, que aguarda a maturidade para se manifestar.
A Sacerdotisa personifica nossa parte que tem acesso a esse mundo através de vislumbres (sem revelar todos os segredos, pois há coisas que são mesmo do mistério e não podem ser tocadas). É uma carta que prevê um momento de forte atração pelo inconsciente e pelos mistérios.
Um dos cantos de Maria Sabina diz "porque eu sei nadar no imenso/ eu sou a mulher livro que está debaixo d'água/ porque tudo tem sua origem/ e eu venho indo de um lugar para o outro desde a origem".
Maria Sabina foi uma curandeira e xamã mexicana. Sua infância foi materialmente escassa, e foi quando conheceu os cogumelos, ao ver seu pai conduzir um ritual. Na cerimônia, chamada “velada”, eles eram ingeridos com o intuito de curar, purificar e conectar com o sagrado. Maria se tornou xamã e guardiã desse conhecimento. Mais velha, depois de muita negociação, concordou em compartilhar um pouco de seu saber com um pesquisador dos EUA, o que levou seu nome a outros países e atraiu gente de fora — quando seu lendário conhecimento sobre os cogumelos sagrados chegou por lá, o movimento hippie e o interesse pelos alucinógenos crescia. Isso levou a uma distorção na intenção do uso dos cogumelos e dos rituais por parte dos gringos, provocando um mau uso deles. Ela percebeu isso como uma profanação da religiosidade ancestral de seu povo e dos cogumelos (“crianças sagradas”), afirmando que isso seria irreversível e que ela pagaria o preço, atraindo mazelas para si. Maria deixou um legado de ensinamentos sobre a consciência e o mistério segundo a espiritualidade originária mazateca.
Representação: Maria Sabina